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Pesquisadores do Butantan criam nanotecnologia sustentável contra dengue e esquistossomose

Cientistas do Laboratório de Desenvolvimento e Inovação (LDI) do Instituto Butantan alcançaram um avanço significativo na área da saúde pública com o desenvolvimento de uma tecnologia baseada em nanopartículas de prata. O estudo, que utiliza o conceito de nanotecnologia verde, demonstrou alta eficácia no combate às cercárias, larvas causadoras da esquistossomose, e às larvas do mosquito Aedes aegypti, vetor de doenças como dengue, zika e chikungunya.

Como funciona a tecnologia verde

O processo inovador utiliza compostos produzidos pelo fungo Aspergillus tubingensis. Em vez de recorrer a métodos químicos tradicionais — que muitas vezes utilizam substâncias tóxicas ao meio ambiente — os pesquisadores aproveitaram o “secretoma” do fungo para criar as nanopartículas. Na prática, o fungo atua como uma “nanofábrica”, onde biomoléculas reduzem e estabilizam a prata em uma estrutura segura e eficiente.

Combate direcionado a parasitas e vetores

A eficácia da descoberta foi comprovada em testes laboratoriais publicados na revista científica internacional Environmental Science: Nano:

  • Esquistossomose: O composto eliminou 100% das cercárias de S. mansoni em apenas duas horas, sem a necessidade de erradicar caramujos ou danificar o ambiente aquático.
  • Dengue: Atua como um potente nanobioinseticida, eliminando larvas de Aedes aegypti no último estágio de desenvolvimento após 48 horas de exposição, evitando que alcancem a fase adulta.

Preservação ambiental e estabilidade

Um dos maiores diferenciais desta tecnologia, desenvolvida sob coordenação da pesquisadora Ana Olivia de Souza e com participação de Luiz Gustavo Ribeiro, é a seletividade. Testes ecotoxicológicos realizados em parceria com o Instituto de Pesca de São Paulo mostraram que peixes, microcrustáceos e anfíbios são muito menos sensíveis às nanopartículas do que os alvos patogênicos. A camada protetora formada pelas biomoléculas do fungo libera a prata de forma lenta e controlada, evitando picos de toxicidade.

Além de ecológica, a tecnologia apresenta alta durabilidade: o produto mantém sua eficiência e características originais por mais de cinco anos em temperatura ambiente. O potencial da invenção foi reconhecido oficialmente em 21 de julho de 2026, com a concessão da carta-patente pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

Atualmente, os pesquisadores buscam formas de viabilizar a aplicação em larga escala da tecnologia, que se alinha ao conceito de “Saúde Única” (One Health), integrando o bem-estar humano, animal e a proteção dos ecossistemas. A inovação promete ser uma ferramenta estratégica para o controle de doenças endêmicas no Brasil com um custo viável para o poder público.

Com informações de Agência SP.