Em uma quadra de futsal, o pivô domina, gira, finaliza e balança a rede. O vídeo do lance ganhou a internet, mas não pela plasticidade do gol. O que chamou a atenção dos usuários das redes sociais foi a forma física de Breno Eduvige.
Brenão, como é conhecido, foi jogador, mas, em certo momento, viu a carreira nos gramados se distanciar, e chegou a pesar 251 kg: “Eu vivia no fundo do poço. Eu não tinha sonhos, minha vida estava no automático”. Uma conversa com a mãe o fez querer mudar de rumo, e, com o apoio da namorada, começou uma nova trajetória.
No começo do ano, foi anunciado como reforço do time de futsal do Botafogo para a temporada de 2026. No Campeonato Carioca, até aqui, foram três gols em três jogos, artilheiro do torneio
O começo no futebol
Na infância, Brenão praticava futebol no Florença, em Vila Kosmos, zona norte do Rio. À época, era volante. “Mas sempre fui meio fora do padrão”, conta. Aos 13 anos, foi chamado para participar de um torneio, mas avaliou que a concorrência na posição seria dura.
“Eu era grandão e pensei: ‘vou dizer que sou pivô’. Fiz 38 gols neste torneio”.
Com a atuação, surgiu o convite para o Madureira, mas não foi à frente. Pouco depois, em um novo campeonato, novo convite para o Madureira, mas, desta vez, para o futsal. Ele aceitou.
Passou pelo America-RJ antes de chegar ao Vasco, onde se tornou “Brenão”. Ainda na base, defendeu Flamengo, Fluminense e o próprio Botafogo.
A partir do sub-20, comecei a ficar com ombro mais largo, ganhar mais massa muscular, mas sempre com esse problema de balança. Na época do Vasco eu já pesava 98 kg. Depois, no Fluminense entre 90 Kg e 98 kg.
Brenão
Aos 19 anos, acertou com o Itaúna, de Minas Gerais, mas a passagem não deu certo. “Passei a trabalhar de carteira assinada, e comecei a ganhar peso”.
Em 2014, Brenão, paralelamente à rotina do emprego, atuou no Fut-7. No ano seguinte, recebeu o contato do ACAF, do Rio Grande do Sul. À época, os 130 kg o deixaram reticente, mas ele aceitou. Perdeu 15 kg, atuou em cinco jogos, mas veio a lesão no joelho, a necessidade de cirurgia e um adeus ao futebol.
Voltou para o Rio de Janeiro e ingressou na faculdade de Educação Física. Pouco depois, soube que seria pai. “Fiquei meio perdido, mas falei: ‘vou correr atrás’. Eu fazia estágio, passei a dar aula em escolinha de futebol em que ganhava R$ 5 a hora, e mais um dinheiro jogando em torneio amador”
Brenão passou a trabalhar na área de logística de uma empresa. Depois, confeitaria e venda de descartáveis. Ele teve a segunda filha, mas o sedentarismo, o trabalho sentado e uma rotina cada vez mais caseira foram ingredientes em um processo que se acelerou.
Daqui a pouco, estava com 200 kg, 220 kg, passei a ter pressão alta, dificuldade para dormir. Tinha cada vez menos vontade de fazer as coisas. Fui demitido e passei a vender alho triturado de porta em porta. Naquela época, eu não sabia, mas estava em depressão. Eu deixei de encarar minha imagem no espelho. Uma vez, fui ao médico e a balança bateu 251 kg
Convite do Botafogo
Em meio a esse cenário, foi contratado para atuar como pivô na equipe de futsal do Botafogo: “É como se a minha carreira tivesse dado uma pausa e, depois de tudo isso, pudesse apertar o play novamente”
Inspiração
Thierry Lemgruber, gestor do Botafogo Futsal nas categorias sub-20 e adulto, explicou o que motivou o Alvinegro a fazer tal movimentação no mercado da bola.
O Brenão foi um atleta de alto nível. Atuou no sub-17 pelo próprio Botafogo. Sou fã do que ele faz e da força de vontade, da dedicação que demonstra pelo propósito, que é retornar no peso ideal, que possa jogar com frequência, ter uma rotina de atleta de alto nível mais uma vez.


