O III Fórum Esporte Seguro, promovido pelo Comitê Olímpico do Brasil, reuniu na quinta-feira (6), no Hotel Hilton Copacabana, no Rio de Janeiro, representantes de confederações, atletas, treinadores, gestores, profissionais de saúde e pesquisadores. A tese que atravessou o dia foi direta: ambiente protegido não é o oposto de alto rendimento — é condição dele.
Quem deu o exemplo mais concreto disso foi o treinador da Confederação Brasileira de Boxe, Mateus Alves, dono de oito medalhas olímpicas — quatro como assistente técnico e quatro como treinador principal. Ele reconheceu que o próprio currículo seria argumento suficiente para não mudar nada.
“Eu poderia simplesmente dizer: tenho oito medalhas olímpicas, não vou mudar nada. Me esconder atrás do resultado. Mas cabe a autoanálise. Não é porque eu ganhei quatro medalhas olímpicas como treinador principal que eu sou um treinador perfeito. Eu posso ter passado do ponto com um atleta. Preciso ter humildade para perceber que posso melhorar”, disse.
O mesmo treinador fez questão de marcar o outro lado da discussão. “Não podemos confundir e achar que para ser seguro o esporte não pode ser rígido com os atletas de alto rendimento. Precisamos entender que existem contextos diferentes. O esporte seguro não pode ser um escudo para impedir qualquer tipo de cobrança”, afirmou.
A abertura ficou com a ex-nadadora olímpica Joanna Maranhão, que falou da própria história e das marcas deixadas pela violência. Ao longo do dia, as mesas trataram de liderança, relações de poder, prevenção de abusos, saúde mental, acolhimento e responsabilização institucional.
Presidente da Comissão de Atletas do COB, Fernanda Nunes ligou o tema ao desempenho. “As pesquisas apontam que um bom ambiente esportivo favorece a performance”, disse. E completou: “Se o ambiente em que o atleta está é tóxico, se ele presencia diversos tipos de assédio moral, de abuso psicológico, com certeza isso vai interferir na carreira dele”.
Gerente da área de Esporte Seguro do COB e responsável pela organização do fórum, Mariany Nonaka tratou a lentidão do processo como parte dele. “O esporte seguro é um trabalho de formiguinha. É pouco a pouco, porque também tem uma questão de cultura”, ponderou.
O presidente do COB, Marco Antônio La Porta, encerrou o encontro. “Para o Comitê Olímpico do Brasil, o Esporte Seguro é um assunto inegociável. Não abrimos mão de ter um ambiente seguro para o atleta”, disse.
Com informações do COB.


