A preservação da memória histórica e cultural do Brasil recebeu um importante impulso com o anúncio da FAPESP. Ao todo, 50 projetos foram selecionados no Programa de Apoio à Infraestrutura de Pesquisa do Estado de São Paulo (PAIP), visando a modernização e a organização de acervos museológicos, bibliográficos, arquivísticos e biológicos. A iniciativa é fundamental para garantir que materiais valiosos, como cartas, fotografias e registros de espetáculos, não se percam com o tempo.
Investimento em infraestrutura e tecnologia
O apoio financeiro da fundação permitirá que instituições adquiram equipamentos especializados, instalem sistemas de climatização para conservação e contratem bolsistas de Treinamento Técnico. O objetivo principal é transformar coleções antigas em verdadeiras infraestruturas de pesquisa, acessíveis tanto para acadêmicos quanto para o público em geral. A digitalização é o pilar central dessas propostas, permitindo que documentos vulneráveis sejam preservados sem que o manuseio físico seja necessário.
Instituições de destaque contempladas
Entre os centros beneficiados estão nomes de peso na cultura brasileira, como a Fundação Bienal de São Paulo, o Museu de Arte Moderna (MAM), a Escola Superior de Artes Célia Helena e o Instituto de Estudos Brasileiros (IEB-USP). Cada instituição terá um foco específico:
- Fundação Bienal: Foco na digitalização e higienização do Arquivo Histórico Wanda Svevo, que reúne documentos essenciais sobre a história da arte contemporânea.
- MAM: Criação de um novo Centro de Documentação e Memória (Cedoc) para organizar cerca de oito décadas de história institucional.
- Escola Superior de Artes Célia Helena: Desenvolvimento do portal “Cena da Memória”, dedicado a centralizar registros sobre a história do teatro brasileiro.
Por que a preservação importa?
Para o leitor, a notícia reflete o cuidado com a memória coletiva. Em um país com dimensões continentais como o Brasil, o acesso a esses documentos permite entender não apenas trajetórias artísticas individuais, mas também a formação da sociedade democrática. Documentos como cartas de Di Cavalcanti ou registros da Companhia Vera Cruz funcionam como testemunhos de uma época. Além disso, a iniciativa busca incorporar novos recortes, como dados sobre gênero, raça e etnia, tornando a pesquisa histórica mais inclusiva e representativa.
Desafios da memória digital
Um ponto crítico levantado pelas instituições contempladas é a fragilidade da chamada “memória contemporânea”. Com grande parte das comunicações atuais ocorrendo via e-mail e outros meios digitais, a preservação do que é produzido hoje torna-se um desafio tecnológico complexo. Os projetos contemplados preveem a implementação de sistemas de gerenciamento que considerem esse novo formato, evitando que a história recente desapareça com a obsolescência de dispositivos e softwares.
Com informações de Agência SP.

