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Preparação começa antes do verão e fortalece resposta às arboviroses em Campo Grande – CGNotícias

Com a circulação de novos sorotipos da dengue no país e o avanço da chikungunya em Mato Grosso do Sul, Campo Grande já iniciou a preparação dos profissionais da Rede Municipal de Saúde para enfrentar o período de maior transmissão das arboviroses, tradicionalmente registrado no verão. A estratégia aposta na atualização técnica das equipes para fortalecer o diagnóstico, o manejo clínico e a resposta da rede antes do aumento dos casos.

A preparação aconteceu nesta terça-feira (7), durante a 2ª Oficina “Arboviroses em Foco”, promovida pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), por meio da Superintendência de Vigilância em Saúde e Ambiente. O encontro reuniu profissionais da Rede Municipal, gestores e especialistas no auditório do Sebrae-MS.

“Mesmo que Campo Grande não esteja com números altos em relação à dengue e à chikungunya, a importância da oficina vem da necessidade de manter os nossos profissionais sempre qualificados. A gente passou por uma situação de emergência em Dourados e viu que realmente a chikungunya vem tomando espaço dentro do nosso Estado”, destacou a superintendente de Vigilância em Saúde da Sesau, Veruska Lhado.

Um dos palestrantes e coordenador-geral de Vigilância de Arboviroses do Ministério da Saúde, Daniel Garkauskas Ramos, ressaltou que a preparação antecipada é decisiva para reduzir os impactos das epidemias.

“É importante que a Secretaria Municipal de Saúde e os profissionais de saúde de Campo Grande comecem a se preparar desde já. A gente enfrenta epidemias há muitos anos no Brasil. Em geral, a fase de preparação e organização dos serviços de saúde é fundamental para reduzir os impactos durante o período de transmissão, que geralmente acontece no verão”, afirmou.

O alerta ganha ainda mais relevância com a circulação do sorotipo 3 da dengue, que voltou a registrar transmissão significativa no país após anos sem ampla circulação. Segundo Daniel, grande parte da população permanece suscetível ao vírus.

“Essa variação na transmissão é natural. A chegada desse sorotipo representa uma ameaça para todos os municípios, por isso a atualização dos profissionais de saúde deve acontecer o quanto antes”, concluiu.

Capacitação

Durante a oficina, especialistas e técnicos apresentaram o panorama epidemiológico das arboviroses em Campo Grande, além de temas como manejo clínico da dengue e da chikungunya, experiências do Ministério da Saúde, atuação da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), novas tecnologias, vigilância estratégica e proteção das populações vulneráveis.

O pesquisador da Fiocruz, Rivaldo Venâncio da Cunha, destacou que a observação clínica é uma das etapas mais importantes para evitar agravamentos.

“Se nós estamos em um plantão noturno e chega uma pessoa idosa com suspeita de dengue, é preferível que ela permaneça o restante da noite em observação no pronto-socorro do que seja liberada para casa. Se ela passar mal, dificilmente terá condições de retornar”, exemplificou.

Rivaldo também ressaltou que a decisão médica deve considerar tanto os sinais clínicos quanto as condições individuais e sociais do paciente.

“O estado de hidratação, a condição respiratória, a presença de dor abdominal, manifestações hemorrágicas e outros sinais de alarme precisam ser avaliados com atenção. Além disso, fatores como idade avançada, diabetes e dificuldade de acesso aos serviços de saúde influenciam diretamente a conduta. O objetivo é evitar agravamentos e garantir que o paciente receba o cuidado adequado no momento certo”, explicou.

A médica da Unidade de Saúde da Família do Bairro São Francisco, Luiza Ribeiro Sebben, que participou da capacitação, reforçou a importância da atualização permanente dos profissionais.

“Eu acho que essa oficina tem grande importância, porque a medicina está em constante evolução. Nossa população precisa dessa assistência. Os médicos devem se capacitar, buscar novos estudos e acompanhar as estatísticas para oferecer o melhor atendimento possível”, afirmou.

Segundo o secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, a integração entre as diferentes esferas do SUS e o investimento permanente na capacitação dos profissionais são fundamentais para fortalecer a resposta da rede pública diante dos desafios impostos pelas arboviroses.

“O SUS se constrói com o Ministério da Saúde, a Secretaria Estadual de Saúde e a Secretaria Municipal de Saúde. Esses três entes precisam atuar juntos não apenas no financiamento, mas também na capacitação e na organização dos serviços. Nosso objetivo é oferecer a melhor atenção à saúde para os cidadãos em todas as fases da vida”, concluiu.

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