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Projeto Tenegres conquista prêmio nacional e evidencia protagonismo do IFSP na promoção da educação antirracista – IFSP

Reconhecimento reforça impacto social e acadêmico da iniciativa desenvolvida no Campus São Paulo e sua atuação transformadora na Brasilândia

O projeto “Tenegres – Territórios Negros e as Escolas: descobrindo o lado norte de São Paulo (Brasilândia)” conquistou a segunda colocação na 24ª edição do Prêmio Péter Murányi, destacando-se entre 264 iniciativas de todo o Brasil. A premiação, no valor de R$ 30 mil, consolida o protagonismo do Instituto Federal de São Paulo (IFSP) na produção de conhecimento comprometido com a transformação social e reafirma a relevância de projetos que articulam ensino, pesquisa e extensão.

A cerimônia ocorreu na quinta-feira, 16 de abril de 2026, reunindo lideranças acadêmicas nacionais, representantes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e reitorias de diversas universidades públicas. O IFSP teve presença expressiva no evento, com uma comitiva formada por gestores, docentes, técnicos e estudantes, evidenciando o caráter coletivo e institucional do projeto.

Representaram o Instituto o diretor-geral do Campus São Paulo, Wellington Pereira das Virgens; o coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo, Fábio Gallo Jr.; os estudantes Ellyson Miranda e Maria Letícia no Nascimento; o egresso Luiz Fernando Zucatelle; os servidores Sara Melo e Cezar Figueiredo; além de Milena Santos e Jomar Borges dos Santos, do Campus Jacareí e integrantes do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (NEABI). A participação também contou com o apoio familiar de Vitalina Pereira dos Santos e Maria Helena Pereira dos Santos.

Desenvolvido a partir do Campus São Paulo do IFSP, o Tenegres Brasilândia é um projeto educacional, cultural e social que tem como eixo a educação antirracista em territórios periféricos. A iniciativa atua no distrito da Brasilândia, na zona norte da capital paulista, onde mais da metade da população se autodeclara negra, propondo ações que valorizam memórias, identidades e vivências historicamente invisibilizadas.

Com base em metodologias afrocentradas e decoloniais, o projeto integra ensino, pesquisa e extensão de forma articulada. No campo do ensino, promove atividades pedagógicas em escolas públicas de ensino fundamental e médio, estimulando o pensamento crítico e a aprendizagem significativa. Na pesquisa, produz conhecimento a partir de narrativas orais, entrevistas e registros audiovisuais, valorizando perspectivas historicamente marginalizadas. Já na extensão, estabelece diálogo direto com a comunidade por meio de oficinas, cine-debates, percursos urbanos, palestras e intervenções culturais.

Entre os principais objetivos do Tenegres estão o registro e a difusão de narrativas negras e periféricas sobre a história da Brasilândia, o fortalecimento do protagonismo estudantil, a integração entre escola, universidade e comunidade e a promoção de práticas pedagógicas alinhadas à Lei 10.639/2003 e ao Estatuto da Igualdade Racial.

Os resultados evidenciam o alcance e o impacto da iniciativa. Cerca de 600 participantes da comunidade escolar já foram envolvidos diretamente nas ações, incluindo estudantes de escolas estaduais da região. O projeto também ganhou visibilidade em eventos acadêmicos e institucionais, como a Mostra de Ensino, Pesquisa e Extensão (MPEx), o Encontro do NEABI/IFSP e a Jornada do Patrimônio. A produção do documentário TENEGRES Brasilândia, iniciada em 2024, consolidou-se como uma importante ferramenta pedagógica, ampliando o acesso ao debate sobre memória, território e identidade.

Além disso, o TENEGRES tem contribuído de forma significativa para a formação de estudantes do IFSP, especialmente aqueles em situação de vulnerabilidade social, ao proporcionar experiências práticas, interdisciplinares e socialmente engajadas. A atuação no projeto possibilita o desenvolvimento de competências acadêmicas e profissionais, ao mesmo tempo em que fortalece trajetórias pessoais e identitárias.

O reconhecimento no Prêmio Péter Murányi soma-se a outras conquistas, como a premiação no Programa Ancestralidades 2024 (Itaú Cultural e Fundação Tide Setubal), e amplia a visibilidade da iniciativa, que já demonstra potencial de expansão para outros territórios e contextos educacionais.

Para a professora Giselly Barros Rodrigues, idealizadora do projeto, o prêmio reafirma a importância do caminho trilhado. “Viver o projeto Tenegres Brasilândia é um processo de impacto e transformação constante. Ao colocarmos a ancestralidade negra no centro da atuação acadêmica, descobrimos novas formas de viver, sentir e fazer o território. Ser premiada novamente reforça que estamos trilhando um caminho necessário e emocionante, onde a ciência e a coletividade se encontram para afirmar que o futuro é ancestral”, destaca.

Ao consolidar-se como referência em educação antirracista e inovação pedagógica, o Tenegres reafirma o papel do IFSP como instituição pública comprometida com a equidade, a inclusão e a transformação social por meio da educação.

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