A Semana da Água começou nesta segunda-feira (23/3), em Minas Gerais, com uma programação dedicada à conscientização sobre o uso sustentável dos recursos hídricos. Na abertura, o evento colocou em evidência um tema central no mês da mulher: os impactos das desigualdades de gênero no acesso à água e a importância de ampliar a presença feminina nos espaços de decisão.
Promovida pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), a iniciativa integra um conjunto de ações de sensibilização da sociedade sobre o papel estratégico da água para o equilíbrio ambiental, o desenvolvimento sustentável e a qualidade de vida.
Durante a programação, a especialista da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Renata Maranhão, destacou que reconhecer a relação entre água e gênero é essencial para a formulação de políticas públicas mais justas. Segundo ela, a escassez e a falta de acesso à água afetam de forma desproporcional as mulheres, sobretudo em áreas vulneráveis, onde muitas ainda percorrem longas distâncias para abastecer suas famílias. Essa realidade impõe sobrecarga física, exposição a riscos e reduz oportunidades de estudo, trabalho e participação social.
Em Minas Gerais, o cenário é mais evidente em áreas do semiárido, onde comunidades enfrentam desafios históricos de abastecimento. Nesse contexto, o Programa Água Doce (PAD) tem contribuído para levar água potável a populações vulneráveis, reduzindo deslocamentos e impactando diretamente a rotina de mulheres que tradicionalmente assumem essa responsabilidade.
Apesar dos avanços em infraestrutura, a especialista reforçou que a equidade depende também de justiça social e de governança inclusiva, com maior participação feminina nos espaços de decisão. Dados apresentados indicam que, embora as mulheres tenham atuação expressiva na base da gestão hídrica, sua presença em comitês e conselhos ainda é reduzida, refletindo barreiras históricas.
Outro ponto destacado foi a necessidade de políticas públicas que considerem as especificidades femininas. Sem essa perspectiva, programas e ações tendem a reproduzir desigualdades estruturais, seja na organização dos espaços de decisão, seja nas condições reais de participação, como disponibilidade de tempo, deslocamento e responsabilidades cotidianas.
O debate também ressaltou que promover equidade na gestão das águas exige considerar diferentes contextos sociais, territoriais e econômicos, incorporando essas realidades na formulação de políticas públicas.
Na abertura do evento, o diretor-geral do Igam, Marcelo da Fonseca, enfatizou que instrumentos técnicos como outorga, fiscalização e monitoramento são essenciais, mas destacou que o sucesso das políticas públicas depende da escuta ativa da população e da compreensão das realidades locais, tanto em áreas urbanas quanto rurais.
Ao longo da semana, especialistas e representantes do setor participam de debates sobre os principais desafios da gestão hídrica em Minas Gerais.
A íntegra da abertura da Semana da Água 2026 está disponível no canal oficial do Sisema no YouTube, clique aqui. Já a programação completa das atividades, com possibilidade de inscrição ao longo da semana, pode ser acessada neste link.

