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Sirpha celebra 50 anos de acolhimento e fortalece parceria com a Rede de Assistência Social – CGNotícias

A Sirpha – Lar do Idoso está comemorando cinco décadas de uma trajetória dedicada ao acolhimento e à dignidade da pessoa idosa. Referência em Campo Grande como Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI), a entidade cofinanciada pelo município por meio da Secretaria de Assistência Social e Cidadania (SAS) acolhe, atualmente, 80 idosos encaminhados pela SAS que enfrentam situações de vulnerabilidade social ou rompimento de vínculos familiares. 

Para marcar a trajetória de trabalho da OSC, a equipe da entidade reuniu autoridades que compõem a Rede de Assistência Social do município e Estado, além de antigos presidentes, colaboradores e representantes de entidades e órgãos parceiros, reforçando a importância da parceria com o Poder Público e a sociedade civil organizada, garantindo a manutenção de uma estrutura que oferece atendimento 24 horas por dia.

A Sala de Inclusão Digital e o Cinematerapia são exemplos dessa parceria. Os projetos saíram do papel graças aos recursos do Fundo Municipal do Idoso (FMI), que viabilizaram os novos espaços, reforçando o atendimento humanizado para um total de 97 idosos.

Durante a celebração, a secretária de Assistência Social e Cidadania, Camilla Nascimento, enfatizou que o trabalho realizado na Sirpha vai além do serviço público. “Cuidar de quem cuida de nós é um pacto de humanidade. É uma honra poder estar à frente de uma pasta onde temos 80 vidas aqui dentro. Não são apenas pessoas, são vidas. Quando a sociedade civil compra uma luta para si, a cidade inteira cresce”, afirmou a secretária.

“A parceria com a rede municipal é muito importante. Além de cofinanciar, pois sem recurso não fazemos nada, conseguimos absorver essa pessoa carente que chega em situação bem debilitada. Hoje temos uma estrutura bacana para atender com conforto e dignidade”, explicou a superintendente da Sirpha, Maria Cristina Gomes de Oliveira.

A relevância da entidade na rede de proteção foi reafirmada no início de 2026 pela Prefeitura de Campo Grande através do resultado do chamamento público do Fundo Municipal do Idoso (FMI). A entidade foi selecionada para receber um repasse de R$ 686,7 mil, destinado ao acolhimento institucional de idosos.

Para o presidente da entidade, Ivan Nery de Queiroz, o marco de 50 anos é um momento de gratidão e renovação de propósitos. “A Sirpha não representa apenas um espaço físico, mas sim uma verdadeira moradia onde se propõe a inclusão e o respeito à história de vida de cada residente. Graças ao esforço coletivo, criamos uma iniciativa que beneficia os mais vulneráveis da nossa sociedade”, concluiu.

Estrutura multidisciplinar

A Sirpha foi criada em 1976, inicialmente com a finalidade de atender pessoas com sequelas da hanseníase. A partir de 2005, passou a ser uma Instituição de Longa Permanência para atender idosos em situação de vulnerabilidade social, com vínculos familiares fragilizados ou rompidos, oferecendo atendimento personalizado com foco na qualidade de vida, no estímulo ao desenvolvimento e na atenção individual e coletiva.

Hoje, com 98 colaboradores, incluindo equipe multidisciplinar de fisioterapeutas, psicólogos e cuidadores, a entidade oferece um ambiente que une assistência básica a projetos de recreação e saúde mental.

Morando há dois anos na entidade, dona Adélia Ferreira já está organizando sua festa de 104 anos que será comemorada em maio. Lúcida e com uma disposição invejável, ela elogia o tratamento acolhedor da equipe. “O que eu mais gosto aqui é das minhas amigas. Participo de todas as atividades, mas adoro conversar e fazer novas amizades”, revelou.

Gaúcha de São Valentim, ela veio para Mato Grosso com o pai e os 11 irmãos ainda criança. Trabalhou boa parte da vida na roça, casou e teve um casal de filhos. Depois da morte do marido, ela decidiu ir para a Sirpha, já que problemas de saúde da filha impossibilitaram que dona Adélia continuasse morando com ela. 

Esbanjando saúde e sabedoria, ela conta que toda semana recebe a visita dos filhos e dos três bisnetos e afirma que a OSC é a extensão de sua família. Ao lado dos amigos, ela revela o segredo da longevidade. “Minha vida é ótima aqui. Me curei de um tumor que os médicos diziam que não tinha cura. Só tenho a agradecer porque sempre tive muita fé. Rezo todos os dias, por isso sou muito feliz”, concluiu.